Não seja escrava dos cachos definidos

Não seja escrava dos cachos definidos

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Cachos definidos. Se você está lendo este texto, é porque, de algum modo, sabe do que estou falando. Depois de anos alisando o cabelo, impondo aos nossos fios um padrão inalcançável, assumimos nossa textura original. Mas, com ela, uma nova cobrança apareceu: a de formas perfeitas, sem frizz, cuidadosamente modeladas, brilhantes e hidratadas. Queremos molas dos sonhos, que admiramos nas campanhas de moda, nas capas de revista, na novela. Sabemos que foram feitas com babyliss. Com vários produtos para combater o arrepiadinho natural. Mas queremos mesmo assim. Sofremos mesmo assim.

No fundo, temos consciência de que, para ter o tal enrolado indefectível, precisamos abrir mão de tudo o que sonhamos ter após a transição: tomar um banho de chuva sem medo, cair no cloro da piscina, no salgado mar, ter uma noite de amor sem se preocupar com o suor. Todas essas situações – maravilhosas – arrepiam o cabelo. Estragam o resultado de horas de fitagem. Não deixam perfeitas as fotos do Instagram.

Até quando vamos nos permitir a escravidão?

Juba de leão - ou leonina

Juba de leão – ou leonina

Você, lendo este texto, entende o que estou dizendo. Sabe que não podemos continuar assim.

Ter cachos lindos é maravilhoso? É. Mas eles só são lindos quando definidinhos? Não. Nossos cabelos são maravilhosos de todos os jeitos. Crespos, enrolados, frizzados, alinhados, bagunçados. Não há um tipo de cacho melhor do que o outro. Não há uma competição para ver quem tem o melhor natural.

A graça de ter cabelo afro, mais estruturado do que o liso, é justamente tirá-lo da caixa. É claro que dá para querer os cachinhos da Maísa num dia. Mas no outro, você pode apostar no pente garfo e arrepiar a raiz também. Pode usar gel. Mousse. Óleo. Leave-in. Cada produto e cada técnica dá uma resposta diferente, um visual totalmente novo que lhe fará jamais enjoar da própria imagem. Quer brincar mais? Tranças. Dreads de lã. Twists. Turbante. Máquina de raspar.

Vento, praia, sol

Vento, praia, sol

Você, leitora ou leitor, é a única pessoa que pode fazer isso pelo seu amor próprio. Não vai ser simples. Ouvimos todos os dias que cachos definidos são melhores e é uma luta quebrar o padrão dentro da gente. Eu vivo esse desafio até hoje, três anos após a transição. Mas, treinando o olhar, cada dia se torna mais fácil. É aquilo que a gente chama de evolução.

Ilustrei este post somente com imagens de fotos de uma viagem ótima, em que a definição do cabelo era o que menos importava. Vamos fazer dos nossos cachos companheiros – e não donos – das nossas experiências? ♥

UPDATE: fiz um vídeo sobre o tema!

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