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Há algumas semanas, postei no meu canal no Youtube um vídeo reflexivo sobre a cobrança que existe para que nós, mulheres, sejamos lindas o tempo inteiro. Fiz esse vídeo sem maquiagem, com cabelo preso, usando tricô, bem diferente da imagem que geralmente atrai likes nas redes sociais – pele maquiada, cabelão com volume, roupa bafônica. Porém, embora eu tenha deixado uma mensagem com esse desabafo-filmado, a verdade é que o tema dele jamais se esgota. Volta e meia, vejo a mim mesma, assim como outras mulheres, caindo novamente no eterno vão da beleza opressora, difícil de sustentar. Vale tudo para ser bonita o tempo todo?

Neste momento, estou digitando com esmalte descascado, a pele precisando urgentemente de uma esfoliação ou limpeza com o Luna Play e a sobrancelha sem fazer. Sempre que olho a sobrancelha bagunçada, lembro de quando uma amiga viu uma selfie minha no Instagram, falando sobre algo de maquiagem, e disse que eu devia sempre ajeitar os pelos antes de postar fotos. Eu, até então, nem achava nada de errado na minha sobrancelha, até aparava a bichinha de vez em quando (mas sem tanta preocupação) e sempre a preenchi e penteei. Essa puxada de orelha me fez criar ansiedade em torno desse item, como se cada detalhe do meu rosto ou corpo estivesse sob a mira de julgamentos o tempo todo.

Me incomoda a possibilidade de ser um vetor dessa cobrança, já que, como blogueira de beleza, frequentemente compartilho dicas de produtos, crio desejo sobre marcas, incentivo consumo e a busca por um padrão estético – mesmo que seja dentro dos seus próprios moldes e não focado no visual de uma outra pessoa. Mas a verdade é que sim, eu amo beleza e acredito no poder curativo que tem o simples ato de fazer algo por você mesma, seja um escalda-pés, uma máscara, uma maquiagem mais caprichada, uma receitinha com ingredientes verdadeiros em vez da comida de shopping… Todas essas são atitudes que promovem não só a busca pela aparência ou pelos cliques no Instagram, mas sim o bem-estar, a felicidade interior.

Eu amo beleza como um presente que podemos nos oferecer, mas odeio que a mesma noção de beleza seja responsável por fazer com que pessoas se sintam mal com quem elas são e queiram parecer alguém diferente. Tento sempre desconstruir esse lado vilão dos cuidados pessoais e manter somente a parte positiva de tudo isso, mas sei que minhas braçadas nem sempre são suficientes para combater o mar de discursos desencorajadores que desaguam nos nossos cotidianos, nas mesas de café da manhã, no intervalo do trabalho, na timeline do Facebook…

Ontem, a Jéssica Flores, blogueira e youtuber, compartilhou um post no Instagram que se referia ao comentário negativo que recebeu de uma seguidora. Numa selfie, enquanto todas comentavam “musa”, “linda”, a menina disse: “Tem até uma beleza natura, mas musa? Menos” (algo assim, não lembro exatamente). Jéssica, além de responder diretamente a menina perguntando se ela estava se sentindo bem por tentar diminui-la, fez um texto totalmente dedicado à falta de sororidade nas redes sociais. O pior dos padrões e das cobranças é que não os praticamos somente conosco. Fazemos isso também com outras pessoas e, muitas vezes, podemos causar danos irreversíveis às sua auto-estima.

Ontem antes de dormir fiquei pensando: Sabe uma coisa que sempre me deixa muito chateada nas redes sociais? É a cultura de que mulher é inimiga de mulher. Sabe aquela coisa de que “não pode elogiar a fulana pq senão ela vai ficar se achando” ou “pffff, eu sou muito mais bonita que ela” ou até “aaaaah certeza que tem Photoshop nessa foto, ela não deve ser assim”, como se fosse uma eterna competição pra ver quem é melhor. Tá na hora das mulheres quebrarem essa “corrente” e darem suporte umas às outras, defenderem umas às outras, quando ouvirem comentário machisma, se colocarem no lugar e tomarem partido. O fato da outra mulher ser bonita, inteligente, interessante, bem vestida, ou “magra” não faz ela melhor que você. E não é porque você não admite ou tenta diminuir a coleguinha, que você fica mais bonita, mais inteligente, mais interessante… quando você diminui alguém, isso não te engrandece, só mostra pro mundo o quão grande é a sua insegurança Pense nisso… #sororidade

Uma publicação compartilhada por Jessica (G) Flores (@jessicaflores) em

O filme To the Bone, lançamento do Netflix, mostra como uma personagem dominada pelo discurso da magreza está tão mergulhada na anorexia que sequer vê sentido no que faz, somente sabe que precisa fazer e que não consegue agir de outro jeito. Você e eu não somos necessariamente doentes, mas de quantas coisas nos privamos diariamente pelos padrões? De comer um lanche calórico com as amigas, de relaxar um pouco em casa em vez de ir fazer as unhas, de ler um livro e deixar o cabelo pra depois… Não que tenha de ser sempre assim. Mas o importante é poder ser. Termos a liberdade de escolher.

E você, o que acha disso? Se sente cobrada para ser bonita o tempo todo? Consegue, pelo menos uma vez, vencer esses padrões?

Beijos :)

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A internet está cheia de musas fitness, mas poucas delas têm histórias “reais”, com as quais podemos nos identificar. Ivone Tavares faz parte desse pequeno percentual. A conheci pela internet, logo que iniciei minha rotina de corridas, e a inspiração bateu na hora: Ivone é bem humorada, dedicada à atividade física e à alimentação, e ainda se divide nos papeis de mãe, profissional (inclusive, ela tem um projeto de site saindo do forno, em breve vocês saberão mais!) e dona-de-casa-organizadora-de-reforma (nosso papo aconteceu durante as idas e vindas da reforma!). Nesta conversa, Ivone conta mais sobre sua mudança para uma vida saudável, que começou aos 38 anos, quando decidiu que perderia peso e transformaria o rumo da sua história.

P.S.: lembrando que perder peso não é uma necessidade para todas as pessoas, hein! No caso da nossa entrevistada, os quilinhos estavam diretamente associados a excessos e falta de exercícios, e a faziam se sentir desconfortável em coisas do dia a dia. Ou seja: mudar o que nos faz infelizes é o caminho para o sucesso, independentemente do que for. Vamos à entrevista!

Vanessa Ventura: Ivone, eu acompanho sua história pelas redes e sempre vejo que você posta muitos antes e depois. Qual foi o motivo inicial da sua mudança de vida: estética ou saúde?

Ivone Tavares: Aparentemente, eu era uma gordinha feliz. Mas tinha pânico, precisava estar acompanhada para várias atividades – como ir ao banco e pegar um ônibus (não fazia nada sozinha pois tinha medo das crises) – e cometia muitos excessos, na bebida, principalmente ! Enfim, zuada total. Mas o que era mais visível era o corpo, né? Eu era frustrada por não conseguir mudar aquele cenário onde aquele peso e aquela vida não estavam de acordo com o que eu queria pra mim. Então, a princípio foi estético, sim! Eu olhava e não me via! Não era a imagem da mulher que eu sempre quis ser. Veja , eu achava que era só o corpo, mas a vida estava toda cagada, certo? Ali eu ainda não compreendia todos os benefícios da atividade física e hoje eu sei, e reforço muito isso, que mexer o corpo é um remédio pra alma!

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Antes e depois

VV: A sua rotina de treinos é pesada! Como consegue conciliar com outras tarefas da sua vida?

IT: Como estou trabalhando no projeto do site, tenho mais flexibilidade,  mas estabeleci um horário para meus treinos e cumpro como qualquer outro compromisso diário . Caso ocorra algum imprevisto, eu reorganizo meu dia, mas trato esse “meu momento de treinar” como algo importante e que tem que ser considerado! Aqui em casa já é sabido que qualquer evento ou compromisso pode sofrer alteração por conta disso (risos), eu sempre me ajeito sem perder o foco!

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VV: Manter a dieta é algo simples para você? Exige muito foco?

IT: A dieta é um assunto muito delicado porque existem alguns pontos que descobri ao longo da jornada que acho muito interessantes! Considero que, para mim, comer melhor e fazer boas escolhas – menos industrializados inclusive – já se tornou algo natural, não vejo mais dificuldade nisso. Sim, a gente cria essa hábito e é fato, operamos tudo no automático! Massss, quando temos como objetivo o resultado estético (ganho de massa e diminuição de gordura), aí é faca na caveira: tem que ter muito foco e ser bemmmm consciente dessa escolha e das renúncias, porque dieta para resultado estético tem que ser regradinha! Aí é olhar com os olhos e lamber com a testa mesmo! Mas sempre reforço que, com base no que vivi até aqui, buscar comer de forma saudável e mais comidinhas naturais é algo que podemos introduzir no nosso dia a dia e, aos poucos, os benefícios de se comer “mais limpo” vão te levando para esse estilo menos imposto e mais natural, sem neura ou bode!

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Uma das delicinhas saudáveis que a Ivone sempre posta no insta: @vonetavares

VV: Nós, que fazemos atividade física, sabemos que o suor acaba com tudo, né (risos)? Como você faz para manter a pele e o cabelo em dia?

IT: Com a pele, faço o cuidado básico que é lavar, vitamina C e protetor solar logo quando acordo e, se a atividade for ao ar livre, fica difícil, mas tem q retocar o protetor a cada 1 hora porque tenho melasma e vira uma caca gigante quando há o descuido (risos)! Sobre o cabelo, tenho uma peruca gigante na minha cabeça (risos), lavar todos os dias causa muita preguiça, então prendo sempre muito bem e procuro lavar os fios dia sim e dia não, e uso sempre um leave-in com proteção! Tenho 70% de cabelos brancos e mechas, então tenho que ter cuidado triplicado para manter o cabelo mais gostosinho. Procuro fazer 1 hidratação semanal e uma reconstrução a cada 20 ou 30 dias! Ah, e priorizo sempre ter bons produtos em casa para que eu mesma possa agilizar esse tratamento no banho! Tempo e dinheiro economizados!

VV: E tratamentos estéticos para complementar a vida saudável, você tem seus favoritos?

IT: Ainnn Van! Adoro tratamento estético e se pudesse faria váriosssss! O tratamento aliado a esse estilo de vida dá muito resultado! O que eu fiz por um bom tempo foi radiofrequência, porque tenho uma flacidez bem chatinha na região abdominal. Amei e super recomendo! Mas o resultado só é bemmmm visível com uma rotina de dieta mais clean + atividade física! Aí é mara! Queria fazer a criolipólise (veja posts sobre esse tema aqui) mas ainda não consegui investir nisso! Mas será a próxima, com certeza!

Ivone, desde já, muito obrigada por contar sobre sua rotina saudável, tanto na dieta e nas atividades físicas, como na beleza! Tudo está diretamente associado e os resultados são visíveis por dentro e por fora! <3

Se inspirou no estilo de vida da Ivone? Compartilha essa entrevista com as amigas! ;)

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Vou começar este post dizendo o seguinte: eu nunca acreditei no poder fixador do Prep + Prime Fix Plus, um dos mais famosos produtos da MAC Cosmetics. Achava que se tratava somente de uma aguinha hidratante e que, no fim das contas, não faria diferença na duração da make ao longo do dia. Por isso mesmo, quando uma amiga comprou o produto, me auto-propus um desafio: testar a resistência do Fix Plus na… academia. E lá fui eu, fazer musculação usando maquiagem, com uma camada da bruma por cima de tudo.

Antes de falar da experiência, vamos à descrição oficial do Prep + Prime Fix Plus, segundo a própria MAC.

Bruma de água leve repleta de vitaminas e minerais, enriquecida com uma combinação de chá verde, camomila e pepino para aliviar e refrescar delicadamente a pele. Aumenta imediatamente a hidratação, enquanto confere uma luminosidade suave que refresca e dá acabamento à maquiagem.

Como eu disse antes, me maquiei pela manhã e, assim que terminei, borrifei o Fix Plus a aproximadamente 20cm de distância da pele. Achei, quando o produto secou, que a maquiagem ficou mais bonita e luminosa. Duas coisas me incomodaram um pouco: a embalagem, que não achei tão intuitiva assim, e o borrifador, que derrama muito produto – a pele fica meio molhada demais, fiquei com um medo danado de derreter a máscara (esta da Make Up For Ever) e o lápis preto cremoso na raiz superior dos cílios, o Smolder, da MAC. Felizmente, nada disso aconteceu, e fui feliz para meu treino – porém, ainda assim, incrédula.

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Sempre que me exercito maquiada, um dos primeiros sinais de que minha make está indo embora é o corretivo, que costuma sair um pouco do lugar, a ponto de eu ter de reaplicar ou dar aquela velha “alisadinha” com o dedo. Minha sobrancelha também bagunça nesses momentos, especialmente quando está sem fazer, como é o caso. Malhei, não me olhei muito no espelho e, quando voltei… A mágica aconteceu. Meu rosto estava inteiro no lugar!

Antes

Antes: abafa a lixeirinha da academia no fundo da foto

Depois

Depois

Já havia me surpreendido um pouco durante o treino, quando apliquei um papel no rosto para enxugar um pouco de suor e nenhuma base transferiu para ele. Já era um sinal positivo! Não apliquei muito produto no rosto porque quis usar exatamente o que eu costumo no dia a dia e ver no que dava. A luz das fotos está um pouco diferente, apesar de ambas terem sido feitas no banheiro da academia, mas acho que dá pra notar que basicamente não tem diferença entre o antes e o depois, né? Chocada.

O frasco com 100ml de Prep + Prime Fix Plus custa R$ 120 e eu recomendo para pessoas que, por algum motivo, querem manter a make fixada por bastante tempo, sem que a pele resseque ou craquele. Não notei interferências positivas ou negativas dele na formação de oleosidade e, pela minha experiência, ele realmente faz diferença na durabilidade da produção. Cumpre o que promete!

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Maria Cecília Prado é uma mulher que, em tempos de empoderamento feminino, inspira com sua trajetória de sucesso que vem de muito antes de o girl power virar um tema comum. Formada em jornalismo pela PUC-SP e especializada em beleza, ela passou por algumas das principais redações do Brasil – entre elas, as revistas Máxima, Boa Forma, Elle, Claudia e Estilo, além de participações na Vogue, Corpo a Corpo e Marie Claire -, e desde 2013 explora o mercado digital com o seu site, o Beauty Editor, que é reconhecido como uma das principais referências de informação de beauté do país.

O que diferencia Maria Cecília no meio digital é a seriedade com que trata a beleza. Em seu site, cada conteúdo é abordado sempre através de uma perspectiva aprofundada, com pesquisa de fontes, informações certeiras e respeito a todas as partes envolvidas – desde a assessoria até o fotógrafo.

Desde 2016, colaboro com o Blog das Convidadas, que faz parte do Beauty Editor, e tenho o orgulho de obter grandes aprendizados e experiências com Maria Cecília. Agora, compartilhamos com você, que quer trabalhar com conteúdo de beleza, dicas exclusivas de quem vive intensamente a realidade desse mercado. Vamos lá?

Vanessa Ventura: Durante o seu curso de jornalismo, na PUC, você já sabia que queria trabalhar com beleza? Como foi a descoberta?

Maria Cecília Prado: Eu não sabia exatamente que eu queria trabalhar com beleza, sabia que queria trabalhar com jornalismo feminino. Eu não era daquelas pessoas que iam pra faculdade querendo trabalhar na Veja, no jornal, na área de política e economia, nunca tive o sonho da TV… O que eu queria era trabalhar com femininas. Amava Capricho, achava uma revista super bem feita. No finalzinho da minha faculdade, lançaram a Elle e eu fiquei apaixonada! Fiz um curso que a Abril promovia, chamado Curso Abril de Jornalismo, no qual você se inscreve quando está no quarto ano da faculdade. Eles fazem uma seleção de 40, 50 candidatos, e essas pessoas passam por um treinamento de 3 semanas com palestras, vivências em redações, projetos, criando pauta… Quando terminei, não consegui ir direto para as revistas femininas, mas me chamaram para ficar no jornal interno da Abril. Eu nunca tinha trabalhado com jornalismo corporativo, mas fui – e foi legal porque eu estava em contato com todas as redações, já que eu criava pautas internas da própria editora. Comecei a pedir para fazer freelas, consegui trabalhos com Elle e Máxima, e , depois de um ano e meio, consegui entrar numa redação.

VV: Até hoje, os recém-formados em jornalismo que decidem trabalhar com beleza sentem preconceito por parte dos colegas. Você viveu isso também?

MCP: Eu tinha consciência de que gostava de jornalismo feminino, mas eu não verbalizava muito. Eu era bem outsider, não gostava de fazer política estudantil (e os jornalistas da PUC são bem engajados), não era cabeçuda de ficar discutindo profundidades do teatro, da música… Gostava dos assuntos, mas não estava naturalmente envolvida com eles. Então não tinha preconceito direto, de as pessoas ficarem tirando sarro, dizendo que o jornalismo feminino era algo menor. Eu enfrentei preconceito depois, trabalhando na Abril e convivendo com muita gente da Veja. Volta e meia eu escutava uma gracinha e gente falando mal tanto do jornal corporativo, onde eu trabalhava, quanto das revistas femininas. Lá havia “a turma do jornalismo importante”, que era Veja, Exame, Playboy, Superinteressante, e “a turma das femininas”, que era vista como aquelas meninas bonitas, cheirosas, interessantes, mas que eram uma “perfumaria” ali dentro. Mas olha, eu nunca deixei nada disso me impedir. Eu tive uma acne muito brava quando era adolescente, por volta dos 14 anos. Isso me levou ao dermatologista desde muito nova. Então eu entendi o quanto era importante se cuidar, para você ficar bem, manter sua auto-estima em dia. No fim da minha adolescência, já com a acne tratada, eu era uma pessoa mais segura, que paquerava, saía, fez toda a diferença para mim. No início da faculdade eu não tinha claro que queria trabalhar com beleza, mas no fim eu já entendia essa minha inclinação, que tem tudo a ver com minha história pessoal: beleza é importante, não é fútil e tem a ver com você se cuidar. As pessoas falam que não se deve julgar pelo visual das pessoas, mas, por outro lado, uma aparência bem cuidada – não estou falando de plásticas, de ter nariz perfeito, nada disso, mas de uma aparência que indique que você se ama – é uma coisa que passa uma mensagem para o mundo, de que você se empenha para ficar bem. Isso, implicitamente, repercute em outras esferas: se você se apresenta bem, cuida da sua pele, das suas unhas, tem um cabelo limpo e cheiroso, isso revela que você se importa com o mundo e com o ambiente onde você está. Por isso, sempre acreditei, e acredito até hoje, que meu trabalho é válido, ajuda muita gente e espalha bem-estar e felicidade!

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Maria Cecília Prado e seus cachos maravilhosos. Foto: Gustavo Arrais

VV: Apesar de os colegas considerarem a área de beleza uma “perfumaria”, com certeza não era qualquer menina apaixonada por esse universo que conseguia entrar na redação, né? Quais são os critérios de seleção?

MCP: Critérios de seleção nem sempre são concretos. Nesses meus anos de redação, já vi pessoas entrando pelo Curso Abril, outras por trainees, pessoas conhecidas de outras que já trabalhavam nas redações e outras que batiam muito na porta e acabavam recebendo oportunidade. Uma coisa que sempre ajuda é que a candidata tenha uma intimidade com o tema. Se eu, como selecionadora, via que a pessoa não estava com um batom, uma pele ou unha bem cuidada, um detalhe de beleza, já notava que ela não tinha paixão pelo tema. Não tem a ver com ser necessariamente super maquiada ou produzida: a pessoa pode, por exemplo, amar novidades de pele e cabelo e saber tudo sobre fórmulas, ir muito a médicos. Eu, quando comecei na área de beauté, era muito diferente fisicamente do que sou hoje: era caretinha, básica, quase nerd. Mas independentemente disso, eu amava falar de pele, filtro solar, adorava ler sobre isso, comprava livros sobre o tema, ia para o dermato desde os 14 anos, não ia com esmalte descascado para a redação… Ou seja, eu tinha uma conexão com esse universo. É importante deixar isso claro na seleção. Quando eu quis colaborar com a Vogue, mesmo não conhecendo ninguém lá, eu ligava para o editor-chefe uma vez por mês, oferecendo pautas sobre acne, botox. Acho que um dia eles encheram tanto a paciência por eu perturbar tanto (risos) que me chamaram para conversar. E notaram que eu tinha o perfil. Me deram uma pauta quebra-galho de teste e eu consegui entregar correndo e bem feito. Daí passaram a pedir que eu adaptasse matérias da Vogue americana – mas eu fazia muito mais, elocubrava, falava com duas fontes, entrevistava médicos. Fui ralando para pegar meu caminho. Já na Máxima, que foi meu primeiro trabalho de beleza, foi diferente, porque eu já tinha um ano e meio de jornal interno, já havia mostrado meu trabalho para as redações, mas não enxergava uma vaga. Aí bati na porta do Carlos Maranhão, meu orientador do Curso Abril, que foi meu avaliador. Contei a ele que queria muito ir para as revistas femininas e perguntei se ele podia falar com as diretoras ou redatoras-chefe. Ele, que era super gente boa e conhecia meu trabalho como pupila no curso e nos freelas, falou com a diretora da Máxima, ela me entrevistou e fui finalmente transferida. O que essas histórias têm em comum é que eu sempre demonstrava paixão pelo que fazia e isso sempre gera frutos.

VV: Você foi editora de beleza em revistas grandes, como a Elle, a Estilo e a Claudia. Como foi essa virada para começar a produzir conteúdo na internet? 

MCP: Quando eu tava na Estilo, uns 3 anos e meio antes de sair, surgiu meu blog dentro da revista, que era o Bazar de Beleza. Foi quando me apaixonei pelo on-line – até então, era uma super revisteira. Esse era um movimento das revistas da Abril: cada editora deveria criar seu blog. Algumas se dedicaram mais, outras menos, mas aquilo me apaixonou de um jeito que eu chegava na redação às 9h para mexer no blog, queria postar todo dia, super me animei. Em paralelo, começou a acontecer, de uma forma mais acentuada, um enxugamento das redações da Abril. Todas as redações foram ficando mais enxutas e eu sabia que isso ia chegar na minha em algum momento. Então comecei a pensar o que eu gostaria de fazer quando saísse da editora. Eu sou uma especialista de uma área, que é a beleza, com uma carreira super consolidada, e não tinha um perfil gerencial, que pudesse migrar pra outra área ou gerenciar outra redação. Também não era super novinha, então não tinha uma facilidade de me encaixar em qualquer lugar. Até por questões salariais. Entre mudar minha trajetória e desenvolver o que eu tinha até aquele momento – dois desafios -, escolhi o segundo. Eu nunca me imaginei fazendo algo diferente de beleza, não por não poder, mas porque é o que eu amo. Então decidi investir no site. Chegou o momento, como eu previa (como boa aquariana que prevê futuro), de enxugar minha redação, e eu saí muito tranquila: sabia que teria desafios, não haveria dinheiro rápido e seria um projeto de médio prazo. Hoje, o Beauty Editor conseguiu se consolidar e hoje é visto por profissionais como uma referência de informação, de coisa séria. Além disso, funciona como meu institucional, apresentando o meu trabalho. Acho que fiz uma aposta certa!

VV: A reconfiguração das marcas e do consumo de beleza em virtude da crise refletem de alguma forma no seu trabalho?

MCP: Não enxergo muito como uma reconfiguração, mas como empresas abrindo o olho e expandindo. Elas estão investindo em produtos menores e mais baratos: a La Roche-Posay e a L’Oréal Paris, ambas do grupo L’Oréal (uma no profissional e outra no público), já lançaram demaquilante em versão menorzinha; a Revlon barateou seus produtos; várias marcas estão criando linhas mais populares. Esse é o momento de entender que há uma crise e expandir o portfólio, permitindo que as pessoas entrem na marca de uma forma menos custosa. No meu trabalho, acho que a mudança foi positiva, pois acabo ficando com mais opções para mostrar à mulher. Eu sempre tive o cuidado, no meu site e nas matérias em que fazia antes, de não fechar somente nas coisas muito caras, mas de balancear e deixar que pessoas de todos os bolsos pudessem entrar naquele universo que eu estava falando. Continuo falando dos caros porque sempre haverá quem compre e pessoas sonhando com eles, mas aumentaram minhas opções de baratos. Sabe aquela história de que o ideograma de “crise”, em chinês, é a junção das palavras “risco” e “oportunidade”? Nesse momento, estamos todos pensando melhor em como comprar, mas as empresas estão aproveitando para manter seus públicos e conquistar novos consumidores. As oportunidades estão por aí!

VV: Quais dicas daria para quem está começando no jornalismo de beleza?

MCP: Eu acho que se preparar é essencial. Hoje, muitas pessoas têm uma ideia de que trabalhar com beleza se resume à parte do glamour: ganhar produtinhos, ir a eventos descolados… Mas, quando você busca por um emprego, precisa mostrar que está envolvida com aquele universo, mas uma vez empregada, ainda é necessário continuar batalhando e se especializando. Existem revistas especializadas em beleza que pouquíssimas pessoas leem, como a Allure, a Votre Beauté. Também há revistas que não são especializadas em beleza mas têm uma sessão de beauté forte, como a Vogue America, as Glamours (a britânica para mim é a the best). São fontes físicas, em papel, que continuam imbatíveis. On-line, há a Beautypedia, da Paula Choice, que eu acho um site maravilhoso para pesquisar sobre produtos, ele tem um fórum de especialistas que avalia tudo. Tem o próprio site da Allure; o Temptalia para reviews; vários perfis de Instagram bacanas. Você tem que beber beleza de todas as fontes para ser uma pessoa antenada, bem informada, pronta para fazer uma matéria e descobrir assuntos legais. Acho que, hoje em dia, que faz isso, se mantém atualizada, faz a diferença no mercado. Outra dica extremamente importante é: mantenha a ética. Estamos num momento em que a falta de ética está mostrando o quanto pode atrapalhar um país, a política. Eu sempre digo que quem trabalha comigo não pede produto ou troca de favores. Nós pedimos informação, respeito, acesso às fontes. Os produtos e benefícios vêm depois, como a consequência natural de um trabalho. Um profissional que respeita a fonte, não altera ou distorce o que foi dito, quem faz boas entrevistas, consulta empresas, tem acesso delicado às pessoas famosas… Tudo isso é ética e constrói a sua reputação. Vale a pena ter sempre esses conceitos em mente!

Maravilhosa, né? Aproveito esse finalzinho de texto para agradecer muito a Maria Cecília pelas dicas e por todas as oportunidades. Nada como aprender com quem sabe! ♥

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Quem usa algum tipo de química (como colorações, alisamentos, etc.), sabe que volta e meia os fios precisam de um cuidado mais poderoso para continuarem brilhantes e saudáveis. Eu estava sentindo meus cabelos danificados, ressecados e sem vida, quando Ed Santana, meu amigo e cabeleireiro do Descabelado, me convidou para conhecer o tratamento Keratin Healing Oil Emergency Service, da L’Anza.

Vamos à descrição oficial do tratamento, segundo a marca:

Emergency Service L’Anza é o mais potente sistema de cura para os cabelos. Com a exclusiva Tissue Engineering Technology, este serviço bifásico renova e restaura cabelos extremamente danificados, proporcionando resultados incomparáveis. Restaura a integridade do cabelo com melhor: força, suavidade e brilho.

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Basicamente, o sistema contém dois passos: a Thermal Therapy, que é aplicada após o cabelo ser lavado e é termoativada, criando “uma estrutura dentro do tecido danificado dos fios”; e a Cream Cure, que inclui queratina e Phyto IV Complex, que fixam o efeito reconstrutor da primeira etapa, e é sem enxágue.

O que eu achei

Duas coisas me surpreenderam no Kerating Healing Oil Emergency Service: a rapidez, já que eu fiquei uns 20 minutos no secador ativando a Thermal Therapy e só (a segunda etapa não necessita de calor ou tempo de pausa); e o efeito reconstrutor que não resseca nem deixa os cabelos “crocantes”. Frequentemente, produtos de queratina acabam deixando os cachos opacos e sem definição logo após o uso, mas esse, pelo contrário, garante um look lindo desde o princípio.

Fiz esse post no Instagram no dia da aplicação:

Vale a pena?

Com certeza! Acho que o Emergency Service é ótimo principalmente para quem está com os fios danificados ou precisando de uma vida a mais. Às vezes, ficamos presas somente aos cuidados da rotina caseira, mas é inegável que os produtos de uso profissional trazem um efeito bem mais profundo aos fios. Após duas semanas de uso, ainda sinto os cachos mais macios, brilhantes, desembaraçados e partindo menos, ou seja, não rola aquela tristeza por ter feito um investimento e perdido o resultado logo depois da primeira lavagem.

P.S.: Recomendo que você invista caso tenha o cabelo natural, ou mesmo alisado sem intenção de voltar aos fios naturais. Como é um tratamento de excelente qualidade, não acho que compensa aplicá-lo na parte lisa que será cortada de um cabelo em transição, por exemplo.

Se você quiser fazer o Emergency Service em Salvador, basta conferir a agenda do Descabelado no site e marcar a sua ida até lá. Aproveite para conversar muuuito com a equipe toda e tomar um cafezinho com chocolate Amma!

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