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Quando você pensa em penteado de festa, o que vem à sua cabeça? Com certeza, o secador foi uma das opções.Ao nos prepararmos para um grande evento, no cabeleireiro, frequentemente a opção alisar é oferecida como a única possível – independentemente da textura original do seu cabelo. Como os fios lisos são vistos como mais elegantes, é comum as meninas crespas ficarem excluídas, achando que seus fios não são lindos o bastante para fazerem sucesso ao natural. Mas são. Inspirada neste texto sobre a escravidão da definição capilar, selecionei inspirações de celebridades que usaram seus cabelos crespos e soltos para marcar presença nos tapetes vermelhos por aí. Maravilhosas são elas!

Vamos começar com a deusa crespa nacional? Taís Araújo escolheu um look com zero definição para brilhar no Prêmio Geração Glamour, provando que o tipo 4 é tão elegante quanto qualquer cacheado ou liso por aí.

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A cantora Esperanza Spalding também adora exibir seus crespos indefinidos. Nos tapetes vermelhos, ela sempre os usa soltos e bem volumosos. Já a multiartista Janelle Monae (fiz um post inteiro sobre ela aqui) varia a textura dos cabelos entre crespos, escovados e cacheados, sempre brincando com formatos – na foto abaixo, ela foi de indefinição + chapéu.

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Seu cabelo até tem definição, mas nem sempre fica todo perfeitinho? A cantora Solange Knowles e a atriz Kerry Washington mostram que dá para usar o frizz dos cabelos crespos como aliado de beleza.

The 55th Annual GRAMMY Awards - Arrivals

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E aí, convencida de que (seu) black is beautiful? Partiu festa!

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Cachos definidos. Se você está lendo este texto, é porque, de algum modo, sabe do que estou falando. Depois de anos alisando o cabelo, impondo aos nossos fios um padrão inalcançável, assumimos nossa textura original. Mas, com ela, uma nova cobrança apareceu: a de formas perfeitas, sem frizz, cuidadosamente modeladas, brilhantes e hidratadas. Queremos molas dos sonhos, que admiramos nas campanhas de moda, nas capas de revista, na novela. Sabemos que foram feitas com babyliss. Com vários produtos para combater o arrepiadinho natural. Mas queremos mesmo assim. Sofremos mesmo assim.

No fundo, temos consciência de que, para ter o tal enrolado indefectível, precisamos abrir mão de tudo o que sonhamos ter após a transição: tomar um banho de chuva sem medo, cair no cloro da piscina, no salgado mar, ter uma noite de amor sem se preocupar com o suor. Todas essas situações – maravilhosas – arrepiam o cabelo. Estragam o resultado de horas de fitagem. Não deixam perfeitas as fotos do Instagram.

Até quando vamos nos permitir a escravidão?

Juba de leão - ou leonina

Juba de leão – ou leonina

Você, lendo este texto, entende o que estou dizendo. Sabe que não podemos continuar assim.

Ter cachos lindos é maravilhoso? É. Mas eles só são lindos quando definidinhos? Não. Nossos cabelos são maravilhosos de todos os jeitos. Crespos, enrolados, frizzados, alinhados, bagunçados. Não há um tipo de cacho melhor do que o outro. Não há uma competição para ver quem tem o melhor natural.

A graça de ter cabelo afro, mais estruturado do que o liso, é justamente tirá-lo da caixa. É claro que dá para querer os cachinhos da Maísa num dia. Mas no outro, você pode apostar no pente garfo e arrepiar a raiz também. Pode usar gel. Mousse. Óleo. Leave-in. Cada produto e cada técnica dá uma resposta diferente, um visual totalmente novo que lhe fará jamais enjoar da própria imagem. Quer brincar mais? Tranças. Dreads de lã. Twists. Turbante. Máquina de raspar.

Vento, praia, sol

Vento, praia, sol

Você, leitora ou leitor, é a única pessoa que pode fazer isso pelo seu amor próprio. Não vai ser simples. Ouvimos todos os dias que cachos definidos são melhores e é uma luta quebrar o padrão dentro da gente. Eu vivo esse desafio até hoje, três anos após a transição. Mas, treinando o olhar, cada dia se torna mais fácil. É aquilo que a gente chama de evolução.

Ilustrei este post somente com imagens de fotos de uma viagem ótima, em que a definição do cabelo era o que menos importava. Vamos fazer dos nossos cachos companheiros – e não donos – das nossas experiências? ♥

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Todo ano, acontece a mesma coisa: com a chegada da São Paulo Fashion Week, os veículos de moda recrutam funcionários extras para realizar a cobertura, que geralmente envolve escrever, fotografar, editar e, talvez, filmar os acontecimentos da semana. Desta vez, tudo ocorreu da mesma forma, se não fosse por um detalhe: uma postagem na página pessoal do editor do site Lilian Pacce, um dos mais incensados da área, convocou jovens estudantes para trabalhar voluntariamente no período. O fato causou revolta na internet.

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(A quem interesse, aqui está a resposta de Lilian, a qual não comentarei):

Acho que a primeira coisa que deve ser esclarecida é o conceito de voluntário. Segundo o Dicionário Priberam, voluntário, enquanto adjetivo, é:

1. Que se faz de boa vontade e sem constrangimento.

2. Amigo de fazer a sua vontadecaprichoso.

3. Que faz parte de uma corporação por mera vontade e sem interesse.

Destaquei os tópicos 1 e 3 por um elemento em comum: o não interesse envolvido numa ação voluntária. Ao se candidatar como voluntário, o sujeito não possui interesse em qualquer ganho relacionado com sua atitude. Seu objetivo é somente o de ajudar e/ou servir.

Porém, como está evidente, esse não é o caso de um estudante, que é alguém em preparo para atuar no mercado de trabalho. Para ele, os trabalhos serão vantajosos somente se oferecerem algum benefício na sua vida profissional – e na financeira, que é a consequência da carreira de todos nós. Trabalhamos para nos sustentar.

Agora, vamos a um novo exemplo.

Além de autora do Belícia, sou colaboradora de um grande site de beleza, o Beauty Editor, da jornalista Maria Cecília Prado. Há alguns meses, trabalhei pela primeira vez na São Paulo Fashion Week – um sonho antigo de carreira – e, sem remuneração financeira, percorri os bastidores da semana de moda, durante dois dias, registrando materiais que mais tarde se tornariam posts no Beauty Editor e também no meu blog pessoal. Eu, que tenho 26 anos e trabalho desde os 19, sou formada, pós-graduada e tenho um emprego formal. Sempre investi em formações complementares que me ajudassem a conhecer facetas de carreira impossíveis de se alcançar na faculdade. Ao realizar a cobertura do SPFW (algo que, vale ressaltar, foi uma oportunidade dada exclusivamente pelo fato de eu colaborar com Maria Cecília em seu site), eu me senti investindo em uma experiência de carreira. Nesses dois dias, aprendi muito, mais até do que pensava, e voltei para casa me sentindo uma profissional mais completa. Assinei todos os posts que escrevi (olha eles aqui), como é uma prerrogativa do site, e os tenho como parte do meu portfólio.

Foi um trabalho voluntário? Não. Eu tinha interesses profissionais e pessoais envolvidos, e eles foram contemplados. Como uma trabalhadora formada, reconhecida e já empregada, cobrir a SPFW não era algo que definiria minha carreira. Foi simplesmente uma experiência que eu decidi ter.

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As pessoas demandadas para a vaga de Pacce são estudantes, desempregados (já que precisam ter disponibilidade total durante uma semana), em busca de seu primeiro espaço no mercado de trabalho. São jovens que dariam tudo para trabalhar em um grande veículo e, ao se oferecerem para essa vaga, vivem a ilusão de que estarão fazendo isso – mas possivelmente sequer assinarão os textos pelos quais darão o sangue para escrever. Além de tudo, são exigidos desses iniciantes conhecimentos que exigem investimentos ($$) prévios: habilidades com fotografia, Photoshop, Final Cut. Tudo isso em troca da oportunidade de labutar para registrar desfiles num site famoso e, quem sabe, ter isso como diferencial no currículo.

E sabe qual é a parte mais preocupante? É que provavelmente esse diferencial existe e funciona. Se os estudantes se prestam a realizar esses serviços, é porque sabem que, ao prospectar uma vaga real para um veículo de moda, os futuros empregadores exigirão que eles já tenham passado pela iniciação numa cobertura. E como viver isso de forma remunerada, se nenhum canal contrata esses braços extras? Se só há a opção de fazer de forma gratuita?

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Em vez de focar a discussão no site em si, é preciso entender que o buraco está mais embaixo. O problema está em toda a mídia de moda, que se enredou numa lógica exploratória, difícil de romper. O que o site Lilian Pacce está reproduzindo é algo bem maior do que ele: é uma dinâmica que se criou e naturalizou o recrutamento de estudantes para trabalhos não pagos, pesados, mas que farão a diferença na hora de eles serem escolhidos ou não para uma vaga de emprego. Devemos questionar a indústria que faz dessa exploração algo essencial, contribuindo para a manutenção de toda a engrenagem – da qual vimos um pedacinho agora, no post do editor. A pergunta é: em que momento ter um simples nome no currículo se tornou uma remuneração justa? O que você, capaz de contratar esses jovens, vai fazer para deixar de incentivar a exploração?

Fotos: FFW

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Rolou déjà vu ao ler o título deste post? Calma, explico: é que não é a primeira vez que uso um produto dessa linha da Avène. O primeiro foi o Serum, enviado pela Kutiz, loja parceira do blog – tem resenha aqui! Agora, precisando de um hidratante facial levinho e que tivesse proteção solar, decidi investir no Hydrance Optimale Light Hydrating Cream.

Como em todo verão, minha pele, apesar de ser do tipo normal, tem dado sinais de oleosidade. Nesse período, fica difícil associar hidratantes comuns a protetores solares: viram duas camadas de produto sobre a pele, o que dobra as chances de surgirem espinhas ou simplesmente de que o rosto vá derretendo ao longo do dia (filme de terror, né?). Fazia muito tempo que não usava um creme facial já com fator de proteção e devo confessar que a praticidade foi o primeiro elemento que me fez gostar do Hydrance Optimale Light Hydrating Cream.

Feito para peles sensíveis do tipo normal a mista e enriquecido com água termal de Avène, esse hidratante vem funcionando bem comigo. Não acumula nas linhas, não deixa aquele aspecto opaco estranho de alguns hidratantes de efeito mate, não briga com a maquiagem e não tem cheiro. Além disso, pude testar o seu FPS 20 numa situação de real exposição ao sol – na praia, durante sete dias seguidos – e notei que a proteção de fato funciona. Minha pele não manchou nem descascou, permanecendo macia e bem cuidada mesmo em uma semana inteira de calorão.

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Acredito que esse hidratante possa ser usado por meninas de pele oleosa em cidades menos quentes, mas não sei se rola em lugares-forno como Salvador. Nesses casos, acredito que uma textura gel seria mais indicada – este aqui, apesar de não comedogênico e de ser bem levinho, é um creminho mesmo.

Vamos ao preço: a bisnaga de 40ml do Hydrance Optimale Light Hydrating Cream (10ml a menos do que a maioria dos cremes por aí) custa R$ 70. E acredite, eu comprei, dividindo em 2x, porque achei o preço justo. O hidratante tem uma fórmula ótima, com ingredientes bacanas, fator de proteção solar e efeito antioxidante. Só pretendo usá-lo de dia e, pela minha experiência, acho que vou conseguir fazê-lo durar entre 3 e 4 meses. Considerando tudo isso – incluindo o fato de não estar gastando meu tubo de protetor facial -, acho 70 golpinhos um valor digno para investir por mais de 90 dias na minha pele. Menos de um real por dia.

E você, qual produto tem usado na sua pele neste verão?

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Este texto poderia se chamar: como a indústria lhe manipula dizendo aquilo que você quer ouvir. Para quem está por fora da polêmica, explico. Há alguns dias, a internet entrou num movimento frenético de apoio à apresentadora Rita Lobo, do GNT, por causa de alguns tweets lançados pela moça. Ao ser questionada por uma seguidora sobre outras possíveis formas de fazer uma maionese caseira – substituindo a gema de ovo e o óleo -, sua resposta foi:

A partir do primeiro tweet, a apresentadora continuou a fazer críticas aos adeptos da alimentação funcional – aquela que encara os alimentos, entre outras coisas, de acordo com suas funções no organismo.

Segundo o discurso de Rita, a alimentação funcional é uma moda que detona o prazer de consumir uma boa comida. O processo é chamado por ela de “medicalização dos alimentos” e, para a cozinheira, foi dessa “onda de ficar escolhendo os alimentos em função dos ingredientes (que) surgiu esse novo distúrbio que trata o alimento como se fosse remédio” (fonte aqui).

Agora que explicamos a situação e os argumentos de Rita, vamos esquecer um pouco o GNT, a cozinha da moda, o Twitter, e vamos lembrar das nossas avós. De quem, desde sempre, soube para que servia cada alimento.

Banana para segurar o intestino. Mamão, para soltar. Feijão para ferro e proteína. Limão e alho para curar garganta. Cenoura e tomate, se quiser ganhar um bronze. Mingau de aveia para saciar a barriga e o coração.

A comida de verdade sempre teve funções. Entender o que cada alimento faz no nosso corpo não reduz o prazer de comer bem – pelo contrário, ajuda-nos a consumir justamente aquilo que precisamos (em receitas deliciosas, a depender da nossa disposição e talento).

Há gente que, quando bebe leite, se sente inflamada. Isso acontece porque ele é, de fato, inflamatório, além de ser uma bebida feita para o filhote e não para os adultos. Ainda assim, há também quem o consuma sem nenhum problema – essa pessoa possivelmente jamais irá dispensar seu queijinho ou um copo de leite com canela à noite. Há quem coma farinha branca todo dia sem se sentir mal. Mas, muito além do fato de esse ingrediente não ter nada de nutritivo – podendo ser trocado por outro com sabor e textura semelhantes e mais amigo do corpo -, ele realmente faz mal ao organismo de algumas pessoas.

Oi Rita, tenho que parar de comer estrogonofe pra sempre se for intolerante a lactose ou vegetariana? Obg

Oi Rita, tenho que parar de comer estrogonofe pra sempre se for intolerante a lactose ou vegetariana? Obg

Por que escolher ingredientes que podem ajudar o corpo, em vez de simplesmente enchê-lo, é visto como algo errado, fruto de um “distúrbio” alimentar? Será que termos acesso a informação e podermos usá-la ao nosso favor é, realmente, algo que deveríamos ignorar? No passado, as pessoas eram menos questionadoras porque muitos conhecimentos estavam disponíveis somente para médicos, nutricionistas. Hoje, é super possível encontrar tabelas nutricionais, textos sobre o papel de cada nutriente, dicas sobre o uso das comidas.

O discurso de Rita Lobo agradou a muita gente porque ele é fácil. E, sendo fácil, pode ser facilmente distorcido. Quem olhar o canal da apresentadora no Youtube ou ler suas entrevistas saberá que ela apoia o uso de alimentos de verdade, e não industrializados, por exemplo. Porém, as manchetes baseadas no seu tweet são animadoras não para o cara que usa azeite e queijo para cozinhar, mas para a pessoa que precisava de um aval para comer maionese e outras coisas igualmente gordurosas sem sentir culpa. O próprio manifesto da apresentadora em si é desrespeitoso com o público que sim, sofre de problemas alimentares e busca uma forma possível de continuar comendo aquilo que gosta, com uma receita adaptada. Pobre desse espectador que buscou ajuda na cozinheira que admira(va).

Eu comeria esse pratinho saudável ae

Eu comeria esse pratinho saudável ae

É preciso sentir culpa por se alimentar daquilo que quiser, quando quiser? Não. Mas então, por que é preciso agredir quem busca opções funcionais – ou seja, com funcionalidades, que funcionam – nas suas refeições? A quem interessa que os consumidores voltem a ignorar o papel de cada ingrediente, desconheçam o que eles causam em seu corpo, engulam o que lhes é oferecido sem sequer questionar a possibilidade de substituição? O princípio de ir para o fogão – como a Rita supostamente defende – é poder escolher o que se coloca na panela. E a saúde é um critério muito do legítimo, sim senhora.

Antes de seguirem Rita, lembrem-se de que ela é uma apresentadora de TV que quer vender o próprio peixe (talvez literalmente). Assim como a Bela Gil, que “virou” automaticamente a antagonista da Rita porque é odiada pelos paladinos do contra-alimentação-saudável – aliás, vamos discutir essa necessidade de criar mulheres rivais neste meu texto do Coletivo Minissaia? A questão é: enquanto uma agride quem tenta customizar sua alimentação, outra tenta dar opções para quem busca opções mais amigáveis para o corpo. Você pode selecionar seu time. Mas não jogue tomate na escolha do coleguinha.